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O PRECONCEITO DO DOUTOR DE MENTALIDADE CRUEL. Por Anastácio Peralta - Kaiowá Guarani 27/02/2010

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Sabemos que com a chegada do não índio em nosso território, nestes 510 anos, foi como uma pedra gigante a cair em nossa cabeça
 
Nós éramos um rio que corria livremente no leito; Fomos embargados de fazer esse trajeto no qual muitos morreram, outros voltaram e outros correram.
 
O Dr. Isaac de Barros, formado em advocacia e jornalista, conhecedor das leis do nosso país, formado nas melhores universidades, usou de suas habilidades  para tentar nos destruir. Mas com tudo que estudou não teve a capacidade suficiente para entender que os povos indígenas viviam aqui há milhares de anos e tiveram seus direitos aprovados, com muita luta, na Constituição Federal de 1988. Este senhor tem mentalidade cruel, desumana e preconceituosa. O que ele escreveu no jornal “O Progresso”, no ano passado, é uma afronta aos índios e aos direitos humanos. Ele não conhece nada sobre nosso povo. Ele não sabe, ou não quer saber que somos considerados como patrimônio da humanidade e merecemos ser respeitados..
 
Não nos conhecem
 
O povo Guarani e Kaiowá tem sua própria organização que era respeitada por todos e não dependia da estrutura de fora. Dependia mesmo era da natureza, vivia em grupo, nos tekoha, de 50 a 100 pessoas, em famílias extensas, guardadas pelos Ñanderu, grande sábio, que governava no modelo coletivo onde todos eram ouvidos e considerados como importantes.
 
A reza até hoje é o eixo de todos os conhecimentos, onde entram as ciências para explicar e respeitar a beleza da natureza, como remédios, plantios, colheitas e os mitos sagrados, a passagem da lua para contar os meses...
 
A geografia explica o espaço de caçar, coletar frutos e os melhores lugares de moradia na região. Temos uma história para lembrar o nosso passado e o presente para preparar o futuro. Temos a matemática própria, importante para contar a lua, o sol e fazer o nosso próprio calendário das flores onde explicam a chegada da primavera perfumando a natureza.
 
Com nossa arte trabalhamos os traços, o trançado, embelezando nossa cestaria e enfeitando os arcos e flechas e dando mais brilho à nossa história, mostrando nossas habilidades.
 
Sempre fizemos nossas casas com os nossos conhecimentos, usando nossas tecnologias de boa qualidade, resistente e saudável, onde moramos vários anos, com nossos filhos.
 
Sempre soubemos curar nossas doenças e manter nossa saúde com remédio do mato e tratando com nossos médicos tradicionais, com ajuda da natureza sempre mantendo nosso corpo e nossa alma saudável.
 
Somos um povo alegre que apesar do descaso da sociedade brasileira que ainda trata a gente como empecilho do progresso, na visão do branco. Somos felizes mantendo nossa religião e tradição. Sempre estamos com Deus e Deus está com nós. Vivemos a esperança de ter nossa terra demarcada. Isso foi afetado pela  ganância dos brancos como o Dr. Issaac de Barros, que se mostrou ignorante e preconceituoso. Mas mesmo que ele queira nos ver derrotados, nós vamos continuar vivos e lutando pelos nossos direitos. Mesmo que ele dê mais valor  ao gado, à cana, à soja, nós pelo contrário, mostramos que somos amigos da natureza, pois sabemos que a mata é a pele da terra, é como o sangue em nossas veias.
 
Precisamos cuidar mais da natureza, pois cuidar da natureza é cuidar de nós mesmos e de toda a humanidade, inclusive do Dr. Isaac de Barros.
 
Anastácio Peralta
Liderança Kaiowá Guarani
Mato Grosso do Sul – Brasil

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