Seja bem-vindo!

A TERRA É O SENTIDO DA VIDA PARA OS GUARANI - Por João R. Ripper 21/01/2010

Enviar para um amigo

 

Para o povo guarani, a terra é o sentido da vida. É a mãe, a conexão com o Criador, e o local sagrado. É nas "casas de reza" que fazem seus rituais, mantêm a transferência da sabedoria milenar para os mais jovens.

 

A terra não tem função de acúmulo. Não é para ser usada para monocultura, venda do excedente e ampliação para latifúndio. Quando tiramos a terra dos Guarani, tiramos literalmente o chão dos pés deles. Ficam sem norte e sem reza. Perdem a noção do sentido de vida, se matam.

 

Como não acumulam, não lutam e não guerreiam. Diversas teses tentaram decifrar a "passividade" desse povo. Mas, no Mato Grosso do Sul, a década de 90 foi uma virada de recuperação cultural e de retorno à terra; lideranças indígenas partiram para o confronto. O resultado foi a recuperação de muitas áreas sagradas, com vestígios de casa de reza, mas sobretudo o uso do argumento irrefutável sobre a recuperação de algo que, um dia, lhes pertenceu de fato e permaneceu sendo espiritualmente deles.

 

As crianças guarani do Mato Grosso do Sul morrem semanalmente, por desnutrição, por falta de terras. É um trabalho de limpeza étnica.

 

Os rituais

 

Vejamos como são os rituais desse povo. No alto, as estrelas parecem astros leves e sensuais, exercendo a dança da solidariedade no céu, voluntárias em manter o equilíbrio, a beleza e a harmonia com a lua, nas noites que iluminam as danças e os cânticos das aldeias Kaiowá. Cá na terra os índios cantam, dançam e brincam, até o amanhecer quando, então, se despedem do espetáculo, como as estrelas, para que o sol seja novamente o dono da festa.

 

Mas não foi sempre assim. Há mais de 20 anos essa nação indígena sofria com a freqüência com que seus jovens guerreiros e mulheres se suicidavam. Desde 1986, foram registrados 310 casos de suicídio, a maioria de moças e rapazes, sem horizontes ou perspectivas. Mas o retorno dos indígenas às suas antigas terras vem reduzindo drasticamente os casos.

 

"Hoje, o Kaiowá ou luta ou morre. Onde ele conquista sua terra sagrada de volta, ele não se mata", resume o cacique e pajé Marcos Veron, 68 anos, da Aldeia Takuára.

 

O Mato Grosso do Sul é o Estado que possui a segunda maior população indígena do Brasil: são cerca de 56 mil índios divididos entre várias etnias: Guarani Kaiowás e Nandeva, Guató, Terena, Kadiuei, Ofaié. Há 200 anos, os Guarani chegaram a ocupar 25% do Mato Grosso do Sul, possuindo cerca de 8,7 milhões de hectares. Atualmente, formam a maioria da população indígena, principalmente os Kaiowá, que se distribuem por 28 pequenas áreas indígenas demarcadas pelo governo.

 

O processo de criação das reservas indígenas no Mato Grosso do Sul teve início no final da década de 20, quando os Guarani começaram a ser expulsos de suas terras e a ser usados como escravos em fazendas de cultivo de erva-mate. O governo brasileiro, nas décadas de 30 e 40, removeu os indígenas para oito reservas demarcadas, de pequenos espaços - cerca de 1,5 hectare por pessoa. Atualmente os índios ocupam menos de um por cento das antigas terras.

 

Hoje, o Mato Grosso do Sul é o Estado com a maior concentração fundiária do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50 mil propriedades rurais detêm, pelo menos, 20 milhões dos 35 milhões de hectares.

 

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), existem ainda cerca de quatro mil Guarani Kaiowá desaldeados nas periferias das cidades, às margens de rodovias, sobrevivendo do artesanato e subempregados em fazendas. Entretanto, são povos que ainda mantêm a noção do seu território sagrado, que se estende ao norte, até os rios Apa e Dourados, e ao sul, até a Serra de Maracaju e afluentes do Rio Jejuí.Todos esses aspectos estão documentados nas fotos desta página.
 


--------------------------------------------------------------------------------
João Roberto Ripper é repórter fotográfico e documentarista social. Há anos acompanha a luta dos Guarani do Mato Grosso do Sul, no processo de retomada de suas terras e na reorganização social das aldeias

Fonte da notícia: Brasil de Fato

Inserido por: Administrador

NOVAS VIOLÊNCIAS CONTRA OS KAIOWÁ NO MATO GROSSO DO SUL.Por Egon Heck

No dia 4 o grupo de famílias do tekoha Ytay Ka’aguy rusu, no município de Douradina, voltou à sua terra tradicional, próximo aos limites da atual Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica.

ENQUANTO ARTUZI 'TORRA" DINHEIRO PÚBLICO, CRIANÇA ÍNDIA CAI NA MENDICÄNCIA POR PRATO DE COMIDA .Por Celso Bejarano

Um dia após as prisões, a reportagem do Midiamax viu uma cena que se repete há pelo menos dois anos na vida de um garotinho morador da aldeia Jaguapiru, a mais povoada de Mato Grosso do Sul, distante 5 km do centro de Dourados.

UNOS 12 MATONES HABRÍAN EJECUTADO A TRES INDIGENAS; UNO LOGRÓ ESCAPAR

El indígena Cecilio Martínez se habría escapado luego de que los matones del narcotraficante Jarvis Chimenes Pavão ejecutaran a tres líderes indígenas de la comunidad Ybyraija.

VEREADOR INDÍGENA PARTICIPA DE ENCONTRO NA CIDADE DE MIRANDA MS. Por Devanildo Ramires

Vereador Indígena Guarani Kaiowá Otoniel Ricardo do (PT), participou na semana passada no III Encontro de professores da etnia terena na aldeia Cachoeirinha do município de Miranda MS.

PROFESSORES INDÍGENAS PARTICIPAM DE JORNADA INTERNACIONAL JESUÍTA

Pesquisadores do Ponto de Cultura Teko Arandu e docentes na UCDB participam nessa semana das XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas em Dourados, na Universidade Federal da Grande Dourados

Total de Resultados: 100

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Última

15/08/2010 AS SOCIEDADES INDÍGENAS E A ECONOMIA DO DOM: O CASO DOS GUARANI. Por Maria Cristina Bohn Martins

os guaranis, descritos em várias circunstâncias pelo critério da “falta” (gente sem leis, sem governo, sem ‘polícia’,...

26/08/2010 MJ SUSPENDE PORTARIAS DE TERRAS GUARANI, NO NORTE DE SANTA CATARIANA

Estamos de luto, mas precisamos reagir, vamos organizar uma manifestação de repúdio porque desse jeito não pode ficar!

23/08/2010 TERRA LIVRE-A GUERRA DA TERRA. Por Egon Heck

O Acampamento terra livre é o grande espaço de solidariedade, debate dos problemas, desafios e definição das estratégias...


Copyright © 2009 Campanha Guarani - Todos os direitos reservados.